Related Posts with Thumbnails

As ciladas comuns da vida gay

terça-feira, 21 de junho de 2011

Quantos de nós, gays, já nos questionamos: Será que algum dia eu vou encontrar alguém legal para ser o meu parceiro?

Na juventude e até os trinta e poucos anos nós gostamos de ir ao matadouro, "para o festival de carne", nos bares, saunas e boates. Essa é a rotina da noite gay de qualquer grande cidade do Brasil.
Muitos gays gostam de se relacionar com homens casados, outros gostam de ferver e cultuam apenas a beleza física dos bofes. Ah, não posso me esquecer dos gays que são românticos e vivem a desilusão de relações amorosas que não deram certo.
Num determinado momento da vida de todos os gays vem o questionamento sobre as idas e vindas aos clubes e bares noturnos GLS.

O cotidiano dos gays é sempre igual. As pessoas são as mesmas, só querem saber de sexo e ninguém está a fim de um relacionamento mais sério.
Os gays, independente de suas características, sabem que dificilmente irão encontrar uma pessoa para se relacionar, além do sexo em uma boate - uma cilada comum da vida gay.

Além das boates e dos bares, quais outros espaços a comunidade homossexual tem para se relacionar? Esse é o grande conflito de todos, mas também pode ser encarado como o grande drama da comunidade gay.
Apenas uma minoria encara esses conflitos de frente porque a maioria prefere não pensar a respeito e escolhem ficar vagando na noite numa incessante busca frenética por companheiros e que ao final da noite não vai além do sexo. Quantos gays terminam sozinhos na noite?

Eu tive um amigo que odiava ficar sozinho e no meio da madrugada saia como louco para procurar um corpo de homem para terminar a noite. Aquelas atitudes lhe renderam muitas encrencas, com  homens bêbados, taxistas e notívagos de plantão.
Analisando as ciladas do cotidiano dos gays eu chego a duas conclusões:

Uma é que se trata de um dilema clássico e que para alguns não tem solução mesmo.
A outra pode ser um convite para refletirmos sobre o mundo gay do qual fazemos parte.

A grande maioria dos gays procura um parceiro fixo, com quem possa compartilhar dos bons e maus momentos, mas devido à busca pelo parceiro ideal ou o corpo perfeito ficam à mercê da solidão.
Os gays vivem dos parceiros sem nomes, do sexo anônimo na sauna, da ilusão de uma relação com um homem casado que se sabe de antemão que não irá para frente.

O hedonismo solitário será o destino da vida dos gays. Amargo? Não, diria que é realista e faço uma crítica, sem ser chato ou politicamente correto, a respeito dos valores da comunidade gay.
Isso tudo é a valorização do corpo e o individualismo exacerbado. Daí quando você passar a mão sobre o seu rosto e perceber as rugas e os vincos, vai descobrir que o tempo passou.

Vai lembrar que já passou dos 40 anos, que está sozinho e, pior que isso, no mesmo lugar onde estava aos 25 anos. Onde? Na pista das boates, nas mesas dos bares, no darkroom das saunas procurando desesperadamente por um “corpo”.
Finalizo este post com um depoimento de um jovem de 23 anos que me escreveu no mês passado:

Cantar ou ser cantado? Em locais públicos, já se tornou moda. Não interessa onde, nem hora e nem dia, qualquer momento é o momento. Sempre tem um atirado lançando aquele olhar matador, que por vezes é retribuído com um disfarçado sorriso e outras com um sorriso confirmador. Mas quando o cara não agrada as minhas exigências, todo o meu corpo, como em perfeita harmonia, trata de esnobar o coitado que me encarou. Viro as costas e procuro outro.

2 comentários:

Mariposo-L 22 de junho de 2011 07:55  

"O cotidiano dos gays é sempre igual.", acho que essa sua afirmação não é valida com regra , eu mesmo sempre tive "casos" com pelo menos mais de um mês de duração ...
E "ninguém está a fim de um relacionamento mais sério ", nossa essa foi forte heim ... se na sua opinião não estão me responda o porque da batalha da união estável , contraditório isso vc não acha ?

eu realmente não entendo porque a grande maioria dos gay's adoram afirmar que "gay não quer relacionamento serio "
bjs

Fragmentedself (fragmented.self@gmail.com),  11 de agosto de 2011 00:46  

Bom, tenho 25 anos, nunca namorei de verdade e não me sinto muito diferente de um gay de 50 anos. Cada dia, acho frustrante a solidão de não encontrar alguém disposto a algo mais que uma noite só.Não gosto de balada, sauna, parque, banheiro, manhunt, disponível, nem nada disso, mas realmente, ainda não consegui encontrar uma alternativa a encontros com desconhecidos por meio desses sites tipo manhunt. Já tive muitos parceiros casuais para alguém minha idade, de idades, raças e níveis socioeconômicos diferentes. Não sou um deus grego bombado de academia, mas atraio muitos homens e já participei de menage, grupal, já me arrisquei em transas sem camisinha, tudo na ânsia, às vezes suicida, de conseguir algum contato, de matar a solidão, mas acho que é a solidão que está me matando. Enquanto vejo amigos héteros se casando e tendo filhos, mal consigo encontrar outro cara gay para conversar, que não fique fazendo carão, nem dando uma de deus grego, e que realmente esteja disposto a tentar construir uma relação real. Já caí no problema do idealismo, na busca pelo homem ideal, mas atualmente, só queria encontrar um homem real e nesse mundo de boites, sites de sexo e carão, fica difícil encontrar algo real. Não que isso aconteça com todos nesse meio, mas eu realmente não me encaixo nesse tipo de fórmula e acho uma pena que a "cultura gay" e o "meio gay" no Brasil ainda esteja limitado a esses guetos de hedonismo, futilidade e indiferença. Não consigo ver uma luz no fim do túnel.

Postar um comentário

  © Grisalhos - Revista Digital com suporte técnico by Ourblogtemplates.com 2011

Voltar ao INÍCIO