As fortalezas e castelos dos gays maduros
terça-feira, 24 de maio de 2011
Na minha faixa etária, os gays idosos e maduros se sentem terrivelmente excluídos, porque não tem aonde ir. Em São Paulo, por exemplo, são tão poucas as alternativas que dá para contar nos dedos.
Talvez, seja por isso que o ABC Bailão, o Caneca de Prata e raríssimos bares gays fazem tanto sucesso há anos! O Shopping Frei Caneca é um programa de índio, até porque tem outros muito melhores e não dá para circular por outros locais sem ser observado e discriminado.
Os empresários do mundo GLS fazem fortunas com entretenimento para o público jovem, mas não investem no público maduro. Recentemente, alguns eventos com grande divulgação atingem todos os públicos, inclusive, os maduros.
Exemplos: O Cruzeiro Gay Nacional e a Parada Gay.
Imagine eu entrando na The Week, na certa irão me olhar e pensar o que este “tiozão” está fazendo aqui?
Eu tenho certeza que ao longo dos anos construímos nossas fortalezas e castelos para viver confinados e seguros. É por isso que eu viajo para a minha chácara no interior, por lá eu me sinto seguro e longe de tudo. É lá que eu posso viver com o meu companheiro sem ser discriminado. Tomamos banho e dormimos juntos. Os nossos parcos vizinhos não nos incomodam e se sabem que somos gays, pelo menos na nossa frente não dizem nada.
Eu me considero um ser privilegiado por ter uma profissão e estar a pouco mais de três anos da aposentadoria. Muitos gays nessas condições constroem o seu mundo particular. Um mundo composto de um bom apartamento na cidade, um carro, um apartamento na praia ou uma casa no campo. A possibilidade de curtir férias no nordeste, nos Estados Unidos ou na Europa.
Isso também é prisão! E tantos gostariam de estar nessas condições – paga-se para ter a segurança, mas não conseguimos pagar para ter alegrias com as coisas simples da vida. Na chácara eu até faço coisas simples, como andar de pés no chão, apanhar uma laranja na laranjeira, cortar a grama ou varrer as folhas da varanda.
Quando me sinto isolado aqui na capital de São Paulo, eu e meu companheiro vamos para São Vicente, no litoral e lá no Ki-Buteco eu recarrego as minhas energias observando o meu mundo gay de homens maduros e seus companheiros, mas no fim do dia eu retorno para a segurança do meu castelo e a magia desaparece. Entendeu?
Eu sou um cara de sorte porque tenho um companheiro para dividir os espaços do meu castelo. Vez ou outra, convidamos os poucos amigos para um almoço ou jantar.
Bom seria viver longe das muralhas da minha fortaleza e aproveitar os anos que ainda me restam. A vida é muito efêmera.
A segurança é importante, mas o isolamento social é uma realidade na vida dos gays maduros e aí preenchemos nossos dias com coisas do mundo heterossexual, até porque não dá para viver sem ele.
Em muitos casos, gays que constroem seus castelos não têm com quem dividir os seus espaços e aí ocorre a frustração e a solidão. Esses ficam debruçados nas muralhas observando o mundo lá fora e repentinamente, envelhecem física e psicologicamente.
Isso é triste, mas é uma realidade cada vez mais presente na população gay com mais de 60 anos
Talvez, seja por isso que o ABC Bailão, o Caneca de Prata e raríssimos bares gays fazem tanto sucesso há anos! O Shopping Frei Caneca é um programa de índio, até porque tem outros muito melhores e não dá para circular por outros locais sem ser observado e discriminado.
Os empresários do mundo GLS fazem fortunas com entretenimento para o público jovem, mas não investem no público maduro. Recentemente, alguns eventos com grande divulgação atingem todos os públicos, inclusive, os maduros.
Exemplos: O Cruzeiro Gay Nacional e a Parada Gay.
Imagine eu entrando na The Week, na certa irão me olhar e pensar o que este “tiozão” está fazendo aqui?
Eu tenho certeza que ao longo dos anos construímos nossas fortalezas e castelos para viver confinados e seguros. É por isso que eu viajo para a minha chácara no interior, por lá eu me sinto seguro e longe de tudo. É lá que eu posso viver com o meu companheiro sem ser discriminado. Tomamos banho e dormimos juntos. Os nossos parcos vizinhos não nos incomodam e se sabem que somos gays, pelo menos na nossa frente não dizem nada.
Eu me considero um ser privilegiado por ter uma profissão e estar a pouco mais de três anos da aposentadoria. Muitos gays nessas condições constroem o seu mundo particular. Um mundo composto de um bom apartamento na cidade, um carro, um apartamento na praia ou uma casa no campo. A possibilidade de curtir férias no nordeste, nos Estados Unidos ou na Europa.
Isso também é prisão! E tantos gostariam de estar nessas condições – paga-se para ter a segurança, mas não conseguimos pagar para ter alegrias com as coisas simples da vida. Na chácara eu até faço coisas simples, como andar de pés no chão, apanhar uma laranja na laranjeira, cortar a grama ou varrer as folhas da varanda.
Quando me sinto isolado aqui na capital de São Paulo, eu e meu companheiro vamos para São Vicente, no litoral e lá no Ki-Buteco eu recarrego as minhas energias observando o meu mundo gay de homens maduros e seus companheiros, mas no fim do dia eu retorno para a segurança do meu castelo e a magia desaparece. Entendeu?
Eu sou um cara de sorte porque tenho um companheiro para dividir os espaços do meu castelo. Vez ou outra, convidamos os poucos amigos para um almoço ou jantar.
Bom seria viver longe das muralhas da minha fortaleza e aproveitar os anos que ainda me restam. A vida é muito efêmera.
A segurança é importante, mas o isolamento social é uma realidade na vida dos gays maduros e aí preenchemos nossos dias com coisas do mundo heterossexual, até porque não dá para viver sem ele.
Em muitos casos, gays que constroem seus castelos não têm com quem dividir os seus espaços e aí ocorre a frustração e a solidão. Esses ficam debruçados nas muralhas observando o mundo lá fora e repentinamente, envelhecem física e psicologicamente.
Isso é triste, mas é uma realidade cada vez mais presente na população gay com mais de 60 anos


1 comentários:
Certa vez conheci numa sauna um cara com 61 anos. Ele nem aparentava, estava bem. Começou a me paquerar, mas eu não curti. Não pelo fato de ele ter 61 anos, longe disso. O tipo físico é que não me agradou. Ele ficou tão decepcionado com o meu não que na hora desabafou: "é duro ser rejeitado por ser velho". Eu expliquei a ele que não era esse o motivo e ficamos conversando. eu gosto de homens maduros e acho que tudo é uma questão de tesão e atração. Posso me relacionar com jovens ou velhos desde que haja tesão. Porém a transa não é tudo na vida e precisamos mesmo de amigos, vida social etc. Acho que nãod evemos construir fortalezas, pelo contrário, devemos viver e aproveitar o que o mundo nos oferece. Vale a felicidade, sempre.
Abraços e parabéns pelo blog.
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